FRANQUIAS BRASILEIRAS CRESCEM NO EXTERIOR

A internacionalização do varejo brasileiro com as franquias alcança patamares inéditos. Este avanço está calcado num cenário macroeconômico de oportunidades, principalmente em países emergentes. Exemplo disso são as grandes e médias redes brasileiras, que prosseguem com planos ousados de expansão internacional e algumas já projetam atingir até 50% de sua receita por meio do faturamento de lojas no exterior, em cinco anos, como é o caso do Grupo Bonaparte com sua rede de restaurantes Bossa Grill, que acaba de inaugurar sua primeira unidade em Wichita, no Kansas (EUA). Para essa unidade, o grupo Bonaparte investiu cerca de US$ 100 mil, mas outros US$ 900 mil deverão ser investidos nos próximos 12 meses, segundo Leonardo Lamartine, diretor do grupo. "A expectativa é de que cada unidade fature cerca de US$ 150 mil mensalmente."

Depois de conquistar o mercado externo e transformar-se numa coqueluche mundial, a Havaianas, marca de sandálias genuinamente brasileira, inaugurou semana passada, em Huntington Beach, na Califórnia (EUA), sua segunda unidade de varejo e primeira no formato franquia. A cidade de Barcelona, na Espanha, foi a primeira a receber uma loja própria da marca, em fevereiro de 2010. Para lojas em formatos multimarcas, a Havaianas exporta produtos exclusivos, e tem uma importante operação na Croácia, onde uma loja "envelopada", com displays e decoração personalizada atraem turistas e locais.

A passos mais largos segue a Via Uno, fabricante e varejista de calçados, que até o final deste ano pretende abrir 50 lojas no exterior, de acordo com o plano de expansão internacional da empresa. Segundo o diretor de Marketing da marca, Paulo Kieling, dez países estão na mira para puxar esse crescimento da rede: Espanha, Itália, Portugal, Alemanha, Peru, Colômbia, Costa Rica, México, Chile e Argentina. Alimentos A escolha dos Estados Unidos como ponto inicial para a expansão do Grupo Bonaparte foi baseada no potencial representado pelo segmento de fast casual, um serviço intermediário entre o tradicional à la carte e o fast-food. "Nos Estados Unidos, o percentual médio da renda per capita gasto com alimentação fora de casa chega a mais de 50%, o que é uma excelente oportunidade", acredita Leonardo Lamartine, diretor do grupo.

"Depois do Kansas, a empresa espera levar a marca para os estados americanos da Flórida e do Texas e cruzar a fronteira para o Canadá, sem entretanto ter data definida de operação." Outra marca do grupo que já está próxima de entrar no mercado internacional é o Bonaparte, que em breve deve ancorar no continente africano. Até 2012, a expectativa é abrir nove franquias - que já estão em processo de negociação - nas capitais e principais cidades de Angola, Moçambique e África do Sul. "Vamos estabelecer parceria com um grupo angolano que atua nos segmentos de transporte, logística e construção civil em toda a África. Eles também já têm um braço na área de alimentação em parceria com uma rede de fast-food inglesa", comenta Lamartine. Até agora estão previstas duas unidades em Angola, cinco na África do Sul e duas em Moçambique, todas em centros de compras. "No continente o perfil do nosso negócio tem grande potencial em shoppings devido às particularidades sociais da África, e tudo sairá do Brasil, do material de construção das lojas aos insumos necessários para a produção dos pratos", relata Lamartine.

Mira internacional

Se no Brasil o setor de franquias é um dos que mais crescem, se não o que mais cresce, com percentuais acima de 30%, segundo Maurício Borges, diretor da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), a projeção de crescimento de franquias brasileiras no mercado externo (10%) simplesmente dobrou, atingindo o pico de crescimento de 20%. Ele acredita no resultado graças à demanda do mercado externo e ao atual cenário econômico emergente, e principalmente no espírito empreendedor do brasileiro. O mercado colombiano é um dos mais promissores para investimentos na América Latina, segundo a Associação Brasileira de Franchinsing (ABF), pois tem mais de 10 cidades de grande potencial. "Além disso, a população emergente e a economia estável favorecem os negócios", diz Ricardo Camargo, diretor da ABF.

Fonte: DCI

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